Título: As dores do Mundo
Autor: Schopenhauer
Editora: Edigraf
Gênero: Filosofia
Traduzido por: José Souza de Oliveira
Páginas: 193
Ano de edição: 1960


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Resenha por Paulo: Disponível aqui

"Uma das melhores obras filosóficas que já tive o prazer de desfrutar.
Este livro começa de maneira soberba, a força do pensamento de Schopenhauer ao tratar do sofrimento, da dor, como algo intrínseco à existência, é nada menos do que genial, completamente aterradora. Suas colocações sobre a trivialidade dos momentos ditos felizes perante àqueles considerados tristes são destruidoras e, para a infelicidade de alguns, tremendamente lógicas e racionais. O otimismo não tem mesmo vez, pois esse não é o melhor dos mundos possíveis (Cândido!) e não existe força alguma trabalhando para tornar tudo correto, justo ou qualquer outra coisa parecida; nossa existência não passa de um acaso, o próprio universo não passa de um acaso ou, pior, de um mero erro.

É realmente uma pena que, após um início tão arrebatador, a obra perca considerável força com seus dois próximos seguimentos. Com “Metafísica do Amor”, o filósofo alemão desenvolve ideias que, hoje, frente às descobertas da ciência, parecem tremendamente ultrapassadas – por mais que alguns retrógrados ainda lhes confiram crédito –; uma destas ideias é a de que o amor tem como fim único a reprodução da espécie e, sendo assim, apenas é possível entre seres de sexos diferentes (uma tremenda bobagem e um prato cheio para o embasamento de ideais homofóbicos). Já com seu esboço sobre as mulheres, Schopenhauer deixa extravasar seu machismo que, inegavelmente, é o pior em toda sua filosofia. Tudo bem que se devem levar em consideração a época em que este escrito foi publicado e as experiências vividas pelo autor, mas, ainda que entenda, não perdôo as posições hoje visivelmente ultrapassadas que o filósofo defendia.

Felizmente, após esse pequeno deslize, “Dores do Mundo” volta a ser uma obra de extrema relevância, apresentando pensamentos tão fantásticos quanto os de seu início. Quando trata da morte, o autor brilha apresentando uma visão duramente realista, demonstrando que o fenômeno da vida não é tão extraordinário quanto muitos imaginam, ainda mais quando comparado à imensidão de todo o universo. Quando fala da arte, Schopenhauer também impressiona, ainda que sua visão acerca das atividades artísticas – que seriam formas de nos fazer ficar anestesiados com relação à vontade e, consequentemente, ao sofrimento –, seja um tanto quanto generalista, afinal, a arte pode mesmo nos aliviar das dores do mundo, mas pode fazer muito mais que isso também. Ao dissertar sobre a moral e a natureza dos homens, então, é provável que o filósofo atinja seu auge, apresentando uma dura realidade que, apesar disto, não deixa de ser deliciosa, ainda que (ou até mesmo por ser) um pouco cruel.

Enfim, um livro digno de muitas análises; este pequeno texto, declaro eu, se muito, arranha levemente apenas a superfície de tal trabalho magistral. Só não lhe dou nota máxima por conta dos dois segmentos já citados anteriormente, mas, verdade seja dita, todo o resto compensa imensamente, e este é uma das melhores obras filosóficas que já tive o prazer de desfrutar."

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